A Organização das Nações Unidas é Criticada por sua Abordagem em Relação à Mudança Climática
Para ilustrar a importância dessa perspectiva, June Zeitlin, da Organização da Mulher para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, oferece algumas estatísticas. No Tsunami que devastou o sudeste asiático em 2004, de 70% a 80% das vítimas fatais eram mulheres; e 90% das 1450 pessoas que morreram em Bangladesh em 1991 com a passagem de um ciclone eram do sexo feminino. Essa disparidade também ocorre nos países industrializados: a onda de calor que abateu a Europa em 2003 matou mais mulheres do que homens; e após a passagem do furacão Katrina no sul EUA em 2005, as mulheres afro-americanas foram as que mais sofreram para sobreviver.
Zeitlin acrescenta que as pessoas mais obres no mundo são em sua maioria mulheres, em especial nas áreas rurais, onde são responsáveis por assegurar a provisão de comida, água e energia. Ela foi a única no painel de discussão a apresentar uma perspectiva de gênero.
O secretário-geral das Nações Unidas, Ba Ki-Moon, afirmou que o tema da mudança climática deve ser abordado frontalmente, sendo um desafio que irá definir o nosso legado. As conseqüências da mudança climática, como o aumento do nível do mar e da freqüência e intensidade de furações e outros desastres naturais, são uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.
O ministro do meio ambiente do Paquistão, Mikhdoom Faisal Saleh Hayat, representando o grupo dos 77 países em desenvolvimento, disse que a mudança climática apresenta graves riscos, especialmente para as regiões mais pobres. Ele ainda afirmou que os países mais industrializados deveriam fornecer fundos para ajustar as nações em desenvolvimento em seus esforços para se adaptarem a esse fenômeno. Hayat também salientou a necessidade de transferências tecnológicas. O ministro ressaltou a importância do cumprimento dos compromissos assumidos em diversas conferências organizadas pela ONU.
Entretanto, o informe “Energia e Gênero”, redigido pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), chama atenção para o fato das mulheres serem largamente marginalizadas no processo de tomada de decisões, e que o papel delas na gestão de assuntos ambientais é constantemente deixado de lado. Zeitlin lembra que as mulheres sempre foram líderes dos processos de revitalização das comunidades e no manejo de recursos naturais.
Fonte: IPS
