Home / Contents / Regiões / Ásia / Água, Mulheres e Trabalho na Zona Rural da Índia

Atualizado: Quinta-Feira, 24 de Maio de 2007

Água, Mulheres e Trabalho na Zona Rural da Índia

por Aditi Kapoor*

Fonte: World Resources Institute (www.wri.org)

(Nova Délhi, Índia, setembro de 2003) Coletar e carregar água é um trabalho da mulher na zona rural da Índia. Nas vilas do distrito deserto de Banaskantha, mulheres gastam até seis horas por dia trazendo água de fontes distantes para suas casas. Elas carregam até 15 litros em suas cabeças em cada viagem, freqüentemente caminhando descalças.

Banaskantha, que está localizado no Estado de Gujarat, no oeste do país, recebe menos de 7 polegadas de água de chuva por ano. (...) Mais de 75% das vilas do distrito não têm mais fontes de água doce confiáveis por todo o ano.

Apenas na última década o Governo Federal reconheceu formalmente a necessidade de envolver comunidades rurais na gestão de recursos hídricos, e somente em 1999 o Governo estabeleceu diretrizes para envolver mulheres. Contudo, mulheres de Gujarat começaram a tomar seus primeiros passos em direção à auto-governança em matéria de água muito antes disso.

Orientadas por um sindicato composto somente por mulheres – a Associação de Mulheres Autônomas (SEWA) – as mulheres de Gujarat começaram a exercer influência sobre as autoridades do Estado e a garantir um direito de voz para elas mesmas, não só dentro da comunidade, mas também dentro de suas próprias casas.

(…)

A estratégia de base por trás desse sucesso foi relacionar a proteção do meio ambiente com a melhora de vida. Para mulheres rurais, benefícios econômicos geralmente dependem da saúde dos recursos naturais dos quais elas dependem. Os Governos, no entanto, geralmente tratam o meio ambiente e o desenvolvimento econômico como mutuamente excludentes.

O Governo do Estado, reconhecendo os êxitos de SEWA, convidou o grupo para liderar e implementar um programa de desenvolvimento de águas em todo o Estado. SEWA usou essa oportunidade inédita para lançar um programa mais amplo que o Estado havia previsto, um que promovia não só a regeneração ecológica, mas também o desenvolvimento econômico.

A Campanha do Milênio Água, Mulheres e Trabalho, como foi chamada, integra controle de erosão do solo, medidas de conservação da água, iniciativas de plantação de árvores e reflorestamento, agricultura de terras áridas e educação, treinamento e capacitação para as comunidades.

Entre 1995 e 2001, a campanha da água se espalhou para um total de 502 vilas em 9 distritos. Mulheres representavam 80% ou mais dos membros na maioria dos novos comitês de usuários de água, e as atividades dos comitês relacionavam-se com questões de especial interesse para as mulheres, como agricultura, coleta de água de chuva e capacitação.

O sucesso de SEWA fez com que moradores das vilas e grupos da sociedade civil questionassem a tendência da Índia a privatizar os serviços de distribuição de água. Há sinais de que as agências de Governo estão começando a confiar no “setor das pessoas” para manejar atividades de abastecimento de água, apesar do ceticismo em relação à competência das mulheres pobres e analfabetas. A Comissão de Águas de Gujarat recentemente decidiu dar baixa prioridade seu contrato com o setor privado para manejar os sistemas de abastecimento de água em Surendranagar, e atribuiu a responsabilidade diretamente à organização da comunidade.

*Aditi Kapoor (features@wri.org) é um contribuinte do Relatório World Resources 2002-2004, de onde este artigo foi retirado. O Relatório encontra-se disponível no site www.wri.org.



Selecione sua língua:

Icons and colours

  • FolderPasta
  • ArticleArtigo
  • EventEvento
  • Publicationpublicação
  • LinkLink
  • OrganisationOrganização
  • PersonPessoa
  • ForumForum
  • FileArquivo