Programa brasileiro de "1 milhão de cisternas" citado na conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas
Por Juliana Radler*
Diante do crescente processo de degradação ambiental e do aquecimento global causado pela emissão de gases do efeito estufa, o acesso a água torna-se uma questão crucial, sobretudo, para os habitantes das áreas mais pobres, rurais ou suscetíveis a secas. Uma questão de sobrevivência que, segundo especialistas, pode ser em muitos casos solucionada com baixos investimentos.
Durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, que ocorreu em Nairóbi (Quênia) até o dia 17 de novembro, a UNEP (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) e o World Agroforestry Center (Centro Mundial de Agroflorestas) divulgaram estudo sobre os benefícios de se coletar água da chuva através da construção de cisternas.
Esse sistema vem sendo adotado no Brasil através do projeto "1 milhão de cisternas", coordenado pela ASA (Articulação do Semi-Árido), cujo objetivo é construir cisternas no semi-árido brasileiro, composto por 1.482 municípios numa área correspondente a 15,7% do território nacional, englobando 32 milhões de pessoas (cerca de 20% da população brasileira). Até o momento, a ASA informa que já foram construídas 164 mil cisternas.
Agnes Mosoni Loirket, líder comunitária Masai (uma das tribos do Quênia), diz que antes da cisterna muitas mulheres não podiam trabalhar. "Hoje, podemos usar o tempo que perdíamos para buscar água fazendo artesanato e melhorando a nossa vida", enfatiza Agnes, que caminhava diariamente cerca de 10 quilômetros para obter água.
Links relacionados com o tema:
ASA - http://www.asabrasil.org.br/
UNEP - http://www.unep.org
World Agroforestry Centre - http://www.worldagroforestry.org
(*) Parcialmente editado para este site. Juliana é correspondente especial da REBIA - Rede Brasileira de Informação Ambiental, em Nairobi. A REBIA edita a Revista do Meio Ambiente e o Portal do Meio Ambiente (http://www.portaldomeioambiente.org.br)
(Envolverde/Rede Brasileira de Informação Ambiental)
